folha

‘Balbúrdia’ à francesa

Por Juliana Sayuri
De Toyohashi (Japão)
(Para Ilustríssima – Folha de S.Paulo – 18/3/2021)

Resumo
A França, país com o maior número de muçulmanos no mundo ocidental, vem fechando o cerco contra o que autoridades chamam de islamismo radical ao aprovar novas leis e sinalizar intenção de abrir investigações nas universidades do país. O fenômeno recente levanta o véu de discussões antigas, embaladas por dois neologismos caros a intelectuais franceses: islamoesquerdismo e islamofobia. 

“O que se observa nas universidades é que existe gente que aproveita a aura de seu título para defender ideias radicais ou militantes.” Sem contexto, alguém poderia imaginar que a frase foi dita por um político brasileiro de extrema direita esbravejando contra moinhos do “marxismo cultural” nos campi.

Desta vez, porém, a frase ecoou a mais de 8.000 quilômetros das federais brasileiras: foi Frédérique Vidal, a ministra responsável pelas universidades na França, quem fez a declaração no fim de fevereiro, ao sinalizar a intenção de abrir investigações para identificar supostos focos de “islamoesquerdismo” nas cátedras francesas.

Vidal pediu dados ao CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica) para passar a régua entre o que seriam estudos “científicos” e “militantes” —um capítulo da guerra cultural que se entrincheira mundo afora. No Brasil, o espectro que rondaria os campi é o marxismo; na França, o islamismo. […]

FOTO: CECILE HOURNAU/UNSPLASH

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