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Tempos pandêmicos

Por Juliana Sayuri
De Toyohashi (Japão)
(Para Gama Revista – 23/8/2020)

O despertador toca às 4h45 da madrugada. Na agenda, os compromissos da manhã: Zoom em São Paulo, Rio e Delaware, Skype em Tóquio, mensagens instantâneas para Porto Alegre e Florianópolis, e-mails para Lisboa, Londres e Belo Horizonte. O relógio já marca 11h27. Não vi a hora passar, mas sinto que o dia mal começou.

Instalada no Japão, a 12 fusos de diferença do Brasil, preciso adaptar horários para conseguir conversar com fontes e editores espalhados pelo mundo, graças à tecnologia. A um clique de distância digital, experimentamos novas noções temporais: atravessamos fusos e nos conectamos em tempo real, em diálogos que duram minutos (mas podem parecer intermináveis) ou horas (dissipadas num piscar de olhos). Em tempos de pandemia embalados pela dopamina digital dos apps do momento, os dias estão passando mais rápido do que o dito normal? Ou mais devagar?

Depende. Na verdade, o tempo está fragmentado. Segundo um estudo liderado pelo acadêmico americano Philip Gable, professor do Departamento de Psicologia e Neurociência da Universidade de Delaware, a pandemia de covid-19 vem provocando impactos diversos nas nossas percepções sobre o tempo. Com apoio financeiro da National Science Foundation, dos Estados Unidos, Gable desenvolveu um aplicativo para documentar impressões e comportamentos dos americanos ao longo da pandemia. A primeira amostra conta com mil participantes de todos os estados americanos, que mês a mês respondem a uma série de questões para o estudo. […]

FOTO: UNSPLASH

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