le monde diplomatique brasil

No front contra o Escola Sem Partido

Historiador Fernando Penna articula movimentos de defesa da educação desde 2015. Para 2019, convida a todos para a Ação Educação Democrática: ‘Temos a possibilidade de fortalecer a resistência. A hora é agora’

Por Juliana Sayuri
De Florianópolis
Para Le Monde Diplomatique Brasil (21/12/2018)

Às 3 horas de uma tarde de novembro, sol a pino no Rio, o historiador Fernando Penna, 39, se dirigia ao campus da UFF (Universidade Federal Fluminense). A travessia Rio-Niterói é habitual para o historiador, que desde 2013 integra o quadro docente da Faculdade de Educação.

Mas o smartphone tocou. Era a produtora Paula Lavigne, com quem o professor nunca tinha trocado uma palavra. Ela o convidou para participar de uma “conversa” na sua casa, em Ipanema, às 8 horas da noite. Ao lado do marido, Caetano Veloso, Lavigne reuniria artistas e ativistas da campanha 342 Artes, que combate a censura a manifestações culturais, para discutir dois temas: a Lei Antiterrorismo (que, se alterada, pode criminalizar movimentos sociais) e o Projeto de Lei Escola Sem Partido.

Guilherme Boulos (Psol), coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), discutiria a Lei Antiterrorismo. À frente do coletivo Professores contra o Escola Sem Partido, que se desdobrou no movimento Educação Democrática, que idealizou a iniciativa Ação Educação Democrática, Penna daria uma “aula” sobre o Escola Sem Partido. Depois do convescote cultural, Boulos e Penna foram entrevistados para o quadro Caetano Entrevista, da Mídia Ninja.

“Saí direto da aula à noite e fui pra lá correndo com uma mochila nas costas. Vestia uma camisa horrível, surrada, super-velha, mas não podia perder a oportunidade”, lembra Penna. A camisa (na verdade, uma esgarçada camiseta polo, de listras irregulares e tons de cinza) era um detalhe, já que o professor anda equipado com seu fiel passador de slides e seu notebook, contendo diversos modelos de conferências sobre o controverso tópico que se tornou a sua causa.

Desde 2015, Penna está rodando o país para discutir o Escola Sem Partido. Até fins de 2018, protagonizou mais de 300 palestras, aulas abertas, audiências públicas, podcasts e vídeos sobre o tema (este link reúne todos os materiais produzidos pelo autor). Por sua atuação, o historiador foi condecorado com a Medalha Tiradentes, da Assembleia Legislativa do Rio, indicado pelo deputado Flavio Serafini (Psol).

Penna não para. Nos primeiros dias de dezembro, ele emendou encontros diversos durante uma “semana de luta”: fez conferência com o historiador Diogo Salles em Niterói; voou para participar do relançamento da  Frente Nacional Escola Sem Mordaça em Brasília; voou para duas palestras em Fortaleza; voltou à capital fluminense para dividir o palco com a filósofa Márcia Tiburi na Casa Pública. No último dia 19, véspera das férias e festas, integrou o Festival CPII Sem Censura, no Teatro Mário Lago.

O historiador não é remunerado pelas palestras e viaja a convite dos organizadores de cada encontro – “já teria falido se precisasse pagar todas as passagens”, diz. “Já fiz de tudo. Fiz duas jornadas atravessando cidadezinhas no interior do Rio Grande do Norte, peguei seis voos e 5 horas de carro para chegar a uma cidade no Rio Grande do Sul, aluguei carro para pegar 5 horas de estrada para Macaé e voltar para dar aula à noite em Niterói. Dei aula pública na Cinelândia, roda de conversa na ocupação estudantil de Feira de Santana (BA), entrevistas, debate direto com Miguel Nagib e por aí vai.” […]

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FOTO: ARQUIVO PESSOAL

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