aliás – estado

Os últimos românticos

Por Juliana Sayuri
De São Paulo
(Para O Estado de S. Paulo – 20/11/2016)


Palavras são engenhosas. Muitas ficaram impregnadas de fetiches que Houaiss nenhum poderia traduzir. “Romantismo” é uma delas. Tragada e digerida com certo amargor, a expressão é alvo de interpretações pejorativas, principalmente atribuídas a idealistas ingênuos, nostálgicos inveterados, utopistas desenraizados do presente e que só pensam no passado. Exemplo: lutar por um mundo melhor, mais justo e mais livre, que conversa mais antiga, defasada, “romântica”, um delírio derrotista, o muro de Berlim já caiu, o capital venceu, é o fim da história, página virada, quem não gostou que vá pra Cuba ou pra Venezuela. Mais de mil ocupações, os últimos românticos.

Felizmente, a história não acabou. Além do mais, romantismo não quer dizer só isso. Muitos poderiam se surpreender com a interpretação de romantismo além de corrente das artes europeias do século 19, mas como ideia marcante no 20 e, sim, ainda vibrante no 21. Romantismo também é uma resposta às condições de vida da sociedade contemporânea, uma revolta contra a modernidade capitalista. Uma visão singular de mundo. […]

Juliana Sayuri, jornalista, doutora em História Social pela FFLCH-USP e autora de Diplô: Paris – Porto Alegre (Editora Com-Arte, 2016)

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