aliás – estado

Relevos da alma

Por Juliana Sayuri
De São Paulo

(Para O Estado de S. Paulo – 4/10/2015)

No papel, notícias de uma África esquecida: um punhado de gente sequestrada, torturada, tragada à vala comum no conflito provocado pelos extremistas do Boko Haram. Mais de 3.500 civis mortos desde janeiro, entre Camarões, Chade, Nigéria e Níger, tão distantes de nós. Na pele, a história é outra. De uma África lembrada, próxima, presente – feita de areia, choupanas de palha e campos de cereais, entre baobás e acácias.

Evaristo Eduardo de Miranda viveu em Maradi, no Níger, entre 1976 e 1979. À época, o agrônomo formado na França se aventurou ao sul do Saara para pesquisar desequilíbrios ecológicos. Mais de 30 anos depois, ele volta àqueles tempos africanos e deles retira a força das histórias de seu novo livro, A Geografia da Pele, cujas primeiras páginas vão logo explicando o título: “Minha pele não suportou três anos no deserto do Saara. Animado pela ousadia dos deuses da juventude, não percebi o quanto ela era tatuada pelo sol, pelo vento, pela vegetação, pelos animais e pela seca. Hoje, uma estranha geografia marca minha epiderme. Percorro suas manchas, rugas, máculas, dobras e cicatrizes como quem caminha entre colinas, montanhas, cordilheiras, países e continentes. Nas entranhas da memória, diversos idiomas e sonoridades identificam cada uma dessas paisagens de meu corpo. Elas têm um só nome: África”. […]

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