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Por tempo limitado

Aluguel por temporada pode ser alternativa de renda

Juliana Sayuri

De São Paulo
(Para Mercado – Folha de S.Paulo – 29/3/2015)

Paulistana de raízes pernambucanas, a arquiteta Cláudia Fellice, 44, acertou no “timing” do mercado imobiliário. Em 2007, comprou uma quitinete de 38 m² por R$ 57 mil no 13º andar do edifício Copan, um dos símbolos de São Paulo, projetado por Oscar Niemeyer (1907-2012).

– Estadia curta requer cuidados específicos
– Diárias no litoral de SP até 160% mais caras nesta Páscoa

A arquiteta investiu outros R$ 12 mil para “repaginar” o apartamento, que utilizou como espaço de trabalho entre 2008 e 2013. Foram investimentos modestos, em relação aos valores atuais do mercado imobiliário.

“Tempos depois, decidi abrir um escritório, pois era difícil receber clientes para reuniões num espaço tão pequeno”, conta Cláudia, que hoje mora na Granja Vianna, na Grande SP, e mantém um novo escritório na avenida São Luís, próximo ao Copan.

No fim de 2014, Cláudia descobriu outro nicho no mercado: o aluguel de apartamentos por temporada.

“No apartamento antigo, troquei a mesa de reuniões por uma cama de casal. Fiz uma experiência no Airbnb [site de aluguel por temporada] e não parei mais: o imóvel é muito procurado por estrangeiros, principalmente europeus. O espaço raramente fica vazio”, diz.

Especializada em design de interiores, Cláudia aluga a quitinete por diárias que variam de R$ 180 a R$ 240. Também aproveita o cantinho quando está desocupado, para dormir perto do trabalho e escapar do trânsito pesado do centro de São Paulo até a sua casa, na Granja Vianna.

O design diferente do apartamento, totalmente reformado, atrai hóspedes, mas a arquiteta atribui a alta procura pelo imóvel estar abrigado num edifício famoso.

“Num futuro próximo, pretendo comprar outro apartamento, também no Copan, só para disponibilizar para aluguel por temporada”, diz. “É um ponto muito valorizado, onde não falta gente interessada em comprar ou alugar –e isso vale para estadias breves e para temporadas mais longas”, justifica.

Adeptos
Das metrópoles ao litoral, o mercado de aluguel por temporada continua conquistando adeptos no Brasil –segundo o site AlugueTemporada, que negocia locações por tempo mais curto, o número de anúncios cresceu 73% nos últimos três anos.

“O aluguel por temporada tem potencial de crescimento no país. Esse nicho acompanha o mercado turístico, mas não necessariamente o imobiliário, já que os imóveis são usados para estadias curtas, como férias ou feriados”, diz Nicholas Spitzman, presidente do AlugueTemporada.

Segundo especialistas, a temporada é uma alternativa interessante para quem tem um segundo imóvel quitado e pouco utilizado. Já quem pretende investir agora num imóvel visando alugar nas próximas temporadas precisa considerar variáveis.

Fazendo contas
Desde 2012, a gerente Gisele Ayres, 38, disponibiliza seu apartamento para aluguel na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. “Gosto das contas na ponta do lápis. De um lado, tenho gastos fixos, como condomínio, no total de R$ 800. De outro, recebo uma média de R$ 3.800 por mês. Por enquanto, compensa”, diz.

Desde 2005, o aposentado Wilson Coló, 62, abre sua casa para quem quer visitar Maresias, litoral norte de São Paulo. No Réveillon, a casa de 250 m², herança de família, lhe rende R$ 2 mil por dia.

Roseli Hernandes, diretora de Imóveis de Terceiros do Secovi-SP (sindicato do mercado imobiliário), considera a localização do imóvel essencial. “É uma ideia interessante para lugares turísticos. A alta temporada pode render mais que os contratos longos, de 30 meses”, diz.

Marcelo Prata, presidente do Canal do Crédito (site de comparação de produtos financeiros), pondera que, no atual contexto econômico, pode não ser um bom negócio investir nesse nicho, exceto se encontrar imóveis abaixo do valor de mercado. “Em momentos de crise, alta de juros e dificuldade no acesso ao crédito, muitas pessoas abrem mão de ‘luxos’ como férias na praia”, analisa.

A planejadora financeira Letícia Camargo não considera a locação por curto prazo convidativa para o proprietário. “O contrato de longa temporada é conservador, mas mais indicado agora”, diz.

Por outro lado, Alessandro Francisco, professor da Fundação Armando Álvares Penteado, lembra que o aluguel tende a cair lentamente e, com a grande oferta de imóveis, muitos deles estão ociosos.”Para o dono, a temporada é uma alternativa para não ficar com o imóvel parado. É comum em Paris e Londres. O mercado poderia explorar esse nicho melhor em São Paulo”, analisa.

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