aliás – estado

O que sobrou do céu

Por Juliana Sayuri
De São Paulo

(Para O Estado de S. Paulo – 20/7/2014)

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Duas histórias intrincadas marcaram a quinta-feira, 17 de julho. Uma, altamente inesperada: um Boeing 777 da Malaysia Airlines (sim, a mesma companhia que viu sumir outro Boeing nos céus de 8 de março), no trajeto Amsterdã-Kuala Lumpur, foi derrubado nos arredores de Donetsk, cidade-chave ucraniana dominada por rebeldes pró-Rússia. Outra, infelizmente esperada: cumprindo ordens do premiê Binyamin Netanyahu, o Exército israelense iniciou uma nova invasão ao território palestino de Gaza – sem previsão para terminar -, elevando a 299 o número de palestinos mortos, incluindo um bebê de 5 meses, nos últimos 11 dias. Dois soldados israelenses morreram.

Enquanto o conflito árabe-israelense implode, o conflito ucraniano explode em danos colaterais: 298 mortes no voo MH17 (15 tripulantes malaios e 283 passageiros de 11 nacionalidades – entre eles, estima-se, 80 crianças e cerca de 100 cientistas, como Joep Lange, um dos maiores especialistas em aids do mundo), o sétimo maior desastre da história da aviação. A quem atribuir a culpa dessas mortes? Para as autoridades americanas, a um míssil. Para a Ucrânia, a um ato terrorista dos rebeldes pró-Rússia. Para a Rússia, a uma tragédia provocada pelo governo ucraniano. […]

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