aliás – estado

Se meu Porsche falasse

Por Juliana Sayuri
De Gavião Peixoto (SP)

(Para O Estado de S. Paulo – 1/6/2014)

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Meu caro, prefiro “Porsche”. Nome próprio, alemão, simples e sonoro. Aliás, no idioma original, pronuncia-se “porch-a” – e não “porch-i”. Se quiser, pode me dizer “máquina”, mas se realmente quiser me reverenciar, privilegie “poderoso” – “poderoso” é top. Não tenho mecânica para falsa modéstia. “Carro” vá lá, mas tente não me ultrajar com genéricos como “automóvel” e “veículo” e, por favor, sob quaisquer circunstâncias, jamais me diga “carroça”. Você, meu caro, deve saber meu valor. Engatou?

Pois Porsche 997 GT3 preto na estrada, 415 cavalos, 6 cilindros, motor 3.6, prestes a riscar a SP-348 e a SP-310 Washington Luís rumo a Gavião Peixoto – de São Paulo capital, uns 320 km de asfalto. Acelero: sábado de céu nublado, sabático ligeiro das angústias metropolitanas. Os arranha-céus, as construções modernosas e as favelas vão ficando para trás, enquanto à frente brotam árvores, caminhos alternativos, campos e mais campos, passa boi, passa boiada, passam carangas, uns possantes e outros tais “veículos”, uns meros mortais. Eu, como viajante vip a bordo de uma transportadora especializada. O boss, J.P. Corazza, ao volante de uma Prado Toyota. […]

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