aliás – estado

Redescobrir

Por Juliana Sayuri
De São Paulo
(Para O Estado de S.Paulo – 21/7/2013)

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Paulistano de 1966, o fotógrafo e jornalista Valdemir Cunha está na estrada há 25 anos. Fez carreira nas revistas Caminhos da Terra e Viagem & Turismo, tendo se aventurado por mais de 80 países com uma máquina fotográfica a tiracolo. Depois de tantas andanças, decidiu mergulhar a fundo no Brasil. A partir dessas expedições, publicou Retratos do Brasil (2006), Brasil Natural (2011) e Brasil Invisível (2012), entre outros. Em outubro, lançará Brasil Litoral (Editora Origem). Neste ensaio, o fotógrafo mostra imagens inéditas dessa nova obra.

Há tempos você se dedica a fotografar o País. Desta vez, por que o litoral?
Esse livro faz parte de um projeto maior. É a série Brasil, que no futuro pretendo publicar como Viagens à Minha Terra. Seria um “inventário” fotográfico, principalmente das regiões isoladas e dos povos esquecidos do País. Quero mostrar diferenças geográficas e culturais presentes no nosso imenso território. Assim, o projeto contempla sete iniciativas. Publiquei Brasil Natural e estou prestes a lançar Brasil Litoral. Depois virão outros cinco livros.

Como idealizou e realizou esse novo livro?
Quis mostrar regiões desconhecidas – ou um olhar diferente sobre regiões já conhecidas. Pesquisei cartas de navegadores antigos para saber como eles imaginavam esse Brasil que estava sendo descoberto. O que Cabral e Américo Vespúcio viram, o que admiraram? Isto é, minha ideia não era mostrar simplesmente a linha da praia, mas o que esses navegadores imaginavam existir atrás dessas linhas. Assim, Brasil Litoral é uma viagem de redescoberta, em sete pontos: Costa do Cacau (BA), Costa do Sal (RN), Costa Verde (SP e RJ), Delta do Parnaíba (PI e MA), Foz do Rio São Francisco (AL e SE), Lagamar (PR e SP) e Reentrâncias Maranhenses (MA).

De onde vem esse gosto por expedições?
Na minha infância, passava férias no interior, em cidades pequenas e fazendas perdidas. Saía para pescar com meu pai, andando de bicicleta por lugares onde carros nem passavam. Para mim, essas férias eram como expedições. Aí vieram influências como Monteiro Lobato e o pó de pirlimpimpim, os documentários da BBC e da National Geographic. Como jornalista, rodei mais de 80 países. Depois de tantas viagens, pensei: “Legal, conheci o mundo. Agora quero fazer o que queria quando era criança. Quero explorar minha terra”.

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