aliás – estado

Ecos da modernidade

Por David Le Breton
(Especial para O Estado de S. Paulo – 6/2/2013)

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O barulho é um som de valor negativo, uma agressão ao silêncio ou simplesmente à tranquilidade necessária à vida em comum. Causa um incômodo àquele que o percebe como um entrave a seu sentimento de liberdade e se sente agredido por manifestações que não controla e lhe são impostas, impedindo-o de repousar e desfrutar sossegadamente de seu espaço. Traduz uma interferência dolorosa entre o mundo e o eu, uma distorção da comunicação em razão da qual as significações se perdem e são substituídas por uma informação parasita que provoca desagrado ou aborrecimento. O sentimento do barulho surge quando as sonoridades ambientes perdem sua dimensão de sentido e se impõem como uma agressão irritante, da qual não há como se defender. Mas o sentimento do barulho põe em relevo, antes de mais nada, um contexto social e a interpretação que o indivíduo faz do ambiente sonoro em que se encontra. Às vezes, o mesmo som é inversamente percebido por outra pessoa como um invólucro sonoro que lhe é indiferente. O barulho não tem objetividade; trata-se de mera sensibilidade individual […] / TRADUÇÃO DE ALEXANDRE HUBNER / EDIÇÃO DE JULIANA SAYURI

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