aliás – estado

À espera

O tempo teimoso, a melancolia das festas… Para as presas ‘marcadas’ de Tremembé, a vida é uma eterna expectativa

Por Juliana Sayuri
De Tremembé (SP)
(Para O Estado de S. Paulo – 23/12/2012)
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Primavera é tempo triste em certos campos de Tremembé. Não há flores, nem frescor, nem cartas de amor que façam jus à estação. Só há o sol escaldante do Vale do Paraíba, a saudade, o marasmo inquietante, as grades. Setembro vira outubro, passa o Dia da Criança, o último capítulo da novela, Finados, o outro feriado esquecido, a chuva inesperada, volta o sol ardido, outro domingo solitário, outro Fantástico, novembro quase no fim e, enfim, a melancolia natalina, já com os primeiros dias de verão. Assim, silencioso, passa o tempo na Penitenciária Feminina I Santa Maria Eufrásia Pelletier de Tremembé.

Minto: não passa. Teima e se arrasta. No número 59 da Rua Monsenhor Amador Bueno, a mesma bicicleta Caloi antiga encostada, as mesmas janelas brancas enxadrezadas e a mesma muralha azul-bebê envelhecida dão uma desesperadora sensação de tranquilidade à penitenciária de segurança máxima, inaugurada oficialmente em 1963. Do lado de fora, não fossem a guarita alta, as fechaduras fortes e o arame farpado, a construção talvez passasse por um colégio qualquer. Mas, do lado de dentro, a história é outra. Encravado no centro da cidadezinha de 45 mil habitantes, a 133 km de São Paulo, o presídio abriga 169 mulheres que, literalmente, não têm mais aonde ir. São as excluídas das excluídas do sistema. […]

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