revista sãopaulo

Cartas na mesa

Ministério oficializa confederação de pôquer e jogo passa a integrar calendário nacional

Por Juliana Sayuri
De São Paulo
(Para Folha de S.Paulo – 4/3/2012)

Não é blefe. No fim de janeiro, o Ministério do Esporte oficializou a CBTH (Confederação Brasileira de Texas Hold’em, nome que se refere a uma modalidade do pôquer) no seu quadro de entidades esportivas. Na prática, isso permite que, a partir de agora, a instituição inclua eventos do jogo no calendário esportivo oficial do país. Essa é mais uma vitória celebrada pelos amantes das cartas. “Nós vencemos uma rodada, mas o jogo ainda está rolando”, diz Igor Trafane, 39, o Federal, presidente da entidade.

A conquista anterior ocorreu em 2010, quando o pôquer foi reconhecido como esporte da mente, assim como o “bridge” e o xadrez, pela associação internacional IMSA (International Mind Sports Association), vinculada ao Comitê Olímpico Internacional.

Fundada em 2009, a CBTH apostou em algumas frentes para mostrar que a atividade não é um jogo de azar, como o “blackjack” e outras atrações de cassinos, proibidos no Brasil. A entidade reuniu estudos para destacar a técnica da competição e partiu para questões legais, endossada por um parecer do jurista Miguel Reale Júnior. Por fim, levou na esportiva, após as chancelas da IMSA e do ministério. “Ainda há muito a se conquistar, como o respeito da sociedade”, diz Federal.

De um lado, o glamour à la James Bond no “Casino Royale”. De outro, os ares sombrios de um carteado underground. Não importa o tipo, a prática do pôquer é lícita e virou até profissão.

O paulistano André Akkari, 38, foi um dos primeiros brasileiros a arriscar fichas nessa carreira. Em 2005, venceu as primeiras partidas e, no ano seguinte, desiludido com o trabalho na área de tecnologia, decidiu se tornar um jogador profissional. No ano passado, conquistou o bracelete de ouro do WSOP (World Series of Poker), em Las Vegas, e voltou com uns bons milhares de dólares. “Depende da sorte? Não. Estudei, treinei e disputei. É um esporte como outro qualquer.” Mas e a grana? “E por acaso tenista joga de graça?”, rebate.

Circuito amador
Fora do circuito profissional, a jogatina legal cresce em clubes como o Vegas Hold’em Club, no Ibirapuera, zona sul. Aberto há seis anos, realiza torneios com inscrição a R$ 100, que inclui jantar e “open bar”. “É um momento de diversão entre amigos”, diz o diretor Reginaldo Campos, 38.

O H2 Club, no Itaim Bibi, zona oeste, é outro exemplo de casa de portas abertas -com inscrições de R$ 50 a R$ 350 para torneio. “Você pode jogar pôquer de graça, a R$ 1 ou a R$ 1.000. É democrático”, diz João Marcelo Dornellas, 36. “O pôquer está saindo do submundo. É um bom momento.”

No entanto, ainda há casas suspeitosas na cidade. A sãopaulo visitou diversos endereços e, algumas vezes, deu de cara com clubes fechados, onde só entram sócios e conhecidos. “Por muito tempo, as casas de pôquer foram injustiçadas. Por isso, eles têm medo de abrir as portas. Mas isso está mudando”, aposta Federal.

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