revista sãopaulo

Cansei de ser indie, agora sou pop

Da balada à feirinha, um passeio por cinco lugares que abandonaram o rótulo de alternativo e passaram a atrair novos públicos

Por Juliana Sayuri
De São Paulo
(Para Folha de S.Paulo – 22/5/2011)

F (13)Começa com um burburinho.Um amigo descolado “descobre” um novo lugar, com identidade e público definidos, e passa a dica adiante. Para horror dos fiéis habitués, tais espaços rompem com o perfil do público alvo e entram no roteiro pop da cidade eclética. Confira cinco destaques selecionados pela sãopaulo:

Mercadinho Chic!
Na década de 1990, o estilista Jair Mercanzini criou o Mercado Mundo Mix, celeiro de novos talentos como Alexandre Herchcovitch e Marcelo Sommer. No fim de 2008, depois de uma temporada em Nova York e passagens por grifes como Ellus 2nd Floor, Jair apostou no Mercadinho Chic!, uma feira de design e moda na rua Oscar Freire. “Vi um beco sem saída, no coração dos Jardins, e quis transformá-lo em uma incubadora fashion”, diz. Depois da estreia tímida, a feirinha conquistou “indies” estilosos e “fashionistas” embonecadas, atraindo cerca de 2.000 pessoas aos sábados. (Mercadinho Chic! R. Oscar Freire, 720, Jardim Paulista, região oeste, tel. 3088-2348. Seg. a sáb.: 12h às 20h. Dom.: 11h às 19h. Livre. Grátis).

Balada Mixta
O clube Funhouse foi o primeiro lar da festa idealizada pelo jornalista Pedro Beck, em 2009. A estrela era (e ainda é) o DJ Daniel Carvalho, famoso pelo codinome Katylene. Em 2010, a balada migrou para o Estúdio Emme, com periodicidade mensal e picos de 1.200 baladeiros por noite. “Adoramos a Funhouse, mas a festa cresceu. É uma festa pop, sem ‘carão'”, diz Beck. (Estúdio Emme. Av. Pedroso de Moraes, 1.036, Pinheiros, região oeste, tel. 3031-3290. Proibido para menores de 18 anos. Sáb.: a partir das 23h. Ingr.: R$ 20 a R$ 40).

Mocotó
O pernambucano José Oliveira de Almeida abriu o botequim nos anos 1970, mas a história mudou a partir de 2003, quando Rodrigo Oliveira -filho do “seu” Zé -assumiu o bar, que se tornou um restaurante estrelado de culinária nordestina. Antes refúgio despretensioso para os “saudosos da terrinha”, hoje a casa atrai paulistanos de todo canto -e muitos gringos. (Mocotó. Av. Nossa Senhora do Loreto, 1.100, Vila Medeiros, região norte, tel. 2951-3056. Seg. a sáb.: 12h às 23h. Dom.: 12h às 17h).

Studio SP
Além de lançar talentos como Cansei de Ser Sexy e Mallu Magalhães, a casa de Ale Youssef já foi palco para discussões políticas, intervenções de artistas como osgemeos e habitat natural de bandas independentes. Isto é, tinha tudo para ser underground. Mas o disputado galpão agrada, atualmente, patricinhas e roqueiros. “É uma casa eclética”, diz Youssef. (Studio SP. R. Augusta, 591, Consolação, região central, tel. 3129-7040. Proibido para menores de 18 anos. Seg.: 22h. Ter.: 21h. Qui. a sáb.: 23h. Ingr.: R$ 15 a R$ 40).

Bar Secreto
O mistério era a alma do negócio, mas o bar conquistou a atenção da galera descolada quando Madonna passou por lá, em 2008. O line-up moderno fez pipocar novos visitantes, mas a casa ainda reserva noites secretas, como a festinha intimista para 40 convidados de Bono Vox, depois do show do U2 na cidade. (Bar Secreto. R. Álvaro Anes, 97, Pinheiros, região oeste, tel. 3032-4420. Proibido para menores de 18 anos. Ter. a sáb.: 23h às 5h. Ingr.: R$ 50 a R$ 80).

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Ronaldo Fraga comenta “looks” favoritos no Parque Ibirapuera

JS

A convite da revista sãopaulo, o estilista Ronaldo Fraga, 42, escolheu e comentou seus três “looks” preferidos, em cartaz na mostra “Rio São Francisco Navegado por Ronaldo Fraga: Cultura Popular, Moda e História”, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no parque Ibirapuera (confira galeria). Para a temporada verão 2009 da São Paulo Fashion Week, o estilista mineiro elaborou uma coleção marcada por vestidos-sacos inspirados no rio São Francisco, brincando com seda, linho e algodão, além de bordados assinados pela família Matizes-Dumont de Pirapora e Stela Guimarães de Itabira. Depois de homenagear o velho Chico nas passarelas, o estilista mergulhou novamente no tema, retratado em vestidos, produções audiovisuais e ilustrações. Confira os três vestidos favoritos do estilista:

Trajeto do Rio
O vestido preto traz um mar de cores, com os bordado da família Dumont, de Pirapora. “O vestido conta uma história”, diz Fraga. Para ele, a peça ressalta a trajetória irregular do rio, com peixes coloridos e casinhas entre as pequenas ondas.

Saco de Seda
Feito como saco aniagem em seda pura, com pequenos círculos simulando a textura das escamas, o “look” brinca com com o rústico e o sofisticado. “É o símbolo do rio, que pode ser áspero, mas extremamente afetuoso”, diz.

Nascente do Rio
Com microtiras de algodão desfiado, totalmente artesanal, o vestido mescla fios coloridos ao cru, com um feixe na cor azul para simbolizar a nascente do rio. “É, com certeza, um dos meus preferidos. É a nascente do rio”.

(Parque Ibirapuera – Pavilhão das Culturas Brasileiras – av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, parque Ibirapuera, zona sul, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/5083-0199. Ter. a dom.: 9h às 17h (c/ permanência até as 18h). Até 26/6. Livre. Grátis).

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