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“A risada é uma fricção de inteligências”, diz Marcelo Tas

Por Juliana Sayuri
De São Paulo
(Para Folha de S.Paulo – 17/4/2011)

Na terça-feira (19), o comunicador Marcelo Tas, 52, participa do segundo encontro da série “Humor & Companhia: O Humor na Mídia e Nas Artes”, às 19h30, no Centro Cultural Banco do Brasil, no centro de São Paulo. Ao lado do ator Jorge Loredo, o famoso “Zé Bonitinho” do programa humorístico “A Praça é Nossa”, Tas discute o tema O Humor na TV em debate mediado pela jornalista Cristina Padiglione.

Âncora do programa “CQC”, Tas coleciona personagens memoráveis na TV, como o repórter ficcional Ernesto Varela e o professor Tibúrcio no infantil “Rá-Tim-Bum”, nas décadas de 1980 e 1990. De lá para cá, o ator consolidou papéis como “comunicador” multimídia, com o premiado Blog do Tas e o perfil no Twitter, que contabiliza mais de 1,3 milhão de seguidores.

No encontro, Tas discutirá o humor presente no “CQC”, que tem no elenco Danilo Gentili, Felipe Andreoli, Marco Luque, Monica Iozzi, Oscar Filho, Rafael Cortez e Rafinha Bastos. “A chave do ‘CQC’ é extrair humor justamente do conflito entre humor e jornalismo, dois ingredientes que geralmente não se misturam. Os jornalistas se levam a sério demais para serem humoristas”, diz.

sãopaulo – Quem te faz rir? Por quê?
Marcelo Tas – Tom Cavalcante, um cara que continua se reinventando.

A TV é engraçada? Por quê?
A TV é só um eletrodoméstico. Quem coloca, ou não, graça dentro dela somos nós.

O “CQC” pretende ser um programa humorístico ou jornalístico?
A chave do “CQC” é extrair humor justamente do conflito entre humor e jornalismo, dois ingredientes que geralmente não se misturam. Os jornalistas se levam a sério demais para serem humoristas. Quando tentam, é um desastre. Já os humoristas não são cuidadosos com a precisão dos fatos e assim correm o risco de perder a consistência da pancada certa no ponto crucial dos fatos. É nesse conflito permanente, nessa verdadeira corda bamba, na busca de se fazer –com igual qualidade– jornalismo e humor que vive o “CQC”.

Você concorda com a ideia de “humor inteligente”?
Discordo totalmente. Todo humor –de qualidade, evidentemente– é necessariamente inteligente. O professor Freud já dizia que a risada é uma fricção de inteligências, é o barulho da ficha caindo.

Dá para discutir e teorizar sobre o humor sem cair na chatice de simpósio?
Qualquer assunto –de uma lista de compras até a nanotecnologia– pode ser abordado com humor. Basta que não nos coloquemos acima da nobreza dos palhaços e dos seres humanos imperfeitos que somos todos sem exceção.

F (8)

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