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A tirinha polêmica de Allan Sieber


Por Juliana Sayuri
De São Paulo
(Para Folha de S.Paulo – 1/4/2011)

“Teatro infantil?! Nãããoo!!!”. Assim o cartunista Allan Sieber, 38, estreou sua tirinha diária na Ilustrada, em 12 de março. O humor escrachado da série “Preto no Branco” é uma das marcas registradas do quadrinista gaúcho, colaborador da Folha desde 2000.

O cartum satírico sobre o teatro infantil, impresso com tintas fortes desse estilo de humor, atiçou discussões entre as principais companhias de teatro infantil de São Paulo. Enquanto alguns diretores torceram o nariz para os quadrinhos, outros riram com a situação. Confira a opinião dos diretores das companhias Circo de Bonecos, Furunfunfum e Le Plat du Jour:

Claudio Saltini, da cia. Circo de Bonecos
“Fiquei pasmo com a tirinha! É um desrespeito à arte. Dizer que teatro é cultura é chover no molhado –todo mundo já sabe. As pessoas descobriram o prazer de assistir a um espetáculo. Mas, como tudo na vida, há espetáculos bons e ruins. O bom teatro não é chato, assim como não é chato ler um bom livro, assistir a um bom filme ou ler uma boa tirinha no jornal…” (A cia. Circo de Bonecos é uma das finalistas do Prêmio Femsa de Teatro Infantil e Jovem de 2011, com a peça “Circo de Pulgas”, em cartaz no Teatro Paulo Eiró).

Paula Zurawski, da cia. Furunfunfum
“Achei a tirinha engraçada. Achei irreverente o teatro estar no mesmo saco que comer espinafre e fazer lição. Aí ri mais ainda quando quase caí na armadilha da indignação, pensando: ‘Mas que malcriado esse cara! Não sabe que teatro infantil é a coisa mais legal do mundo?’ Mas quem disse que é tão legal? O Allan é muito inteligente e, sem querer, tocou em um ponto nevrálgico, escancarando a crise de identidade do teatro infantil.” (A cia. Furunfunfum está em cartaz no teatro Ressurreição com a peça “Rapunzel”, participante do Festival de Teatro Infantil, em São Paulo).

Carla Candiotto, da cia. Le Plat du Jour
“Todo humor é cruel. A gente não ri de alguém que tropeça? Imagine um teatro e de repente a luz se apaga. Uma criança sentada ao seu lado começa a chorar sem parar. Ela tem medo, mas como o pai ainda não quer sair da sala… Ela deixa o ambiente insuportável, não deixa? Quem é humorista / cartunista precisa ser observador. O humor vem de situações esdrúxulas. Allan foi observador e colocou uma situação que não é agradável e fez a gente rir.” (A cia. Le Plat du Jour participa do Festival Centro da Terra para Crianças com “João e Maria” e do Festival de Teatro Infantil com “Chapeuzinho Vermelho)”.

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