revista vida simples

Carpe Diem


Por que a expressão “carpe diem”, tão difundida no decorrer dos séculos, nunca foi tão importante quanto nos dias de hoje


Por Juliana Sayuri
De São Paulo

(Para Vida Simples, Editora Abril – 3/2011)

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Quebrar o caramelo queimado do crème brûlée, lançar pequenas pedras na correnteza do rio, espiar discretamente as obras de arte do vizinho pela janela. Essas cenas triviais passariam invisíveis ao frenesi cotidiano, mas estrelam os pequenos prazeres de uma jovem em Paris, no clássico contemporâneo O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Nas suas peripécias diárias para tornar a vida dos amigos mais alegre, Amélie nos faz um convite para aproveitar o dia.

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Mas a ideia é bem mais antiga do que o roteiro do cineasta Jean-Pierre Jeunet. No século I a.C., o poeta latino clássico Quinto Horácio Flaco escreveu os célebres versos: “Melhor é aceitar! E venha o que vier! Quer Júpiter te dê ainda muitos invernos, quer seja o derradeiro este que ora desfaz nos rochedos hostis ondas do mar Tirreno, vive com sensatez destilando o teu vinho e, como a vida é breve, encurta a longa esperança. De inveja o tempo voa enquanto nós falamos: trata, pois, de colher o dia, o dia de hoje, que nunca o de amanhã merece confiança”. É nesse poema que ficaria cristalizado o termo carpe diem, ou “aproveite o dia”, em bom português – uma espécie de expressão-filosofia que valoriza as trivialidades fascinantes de uma vida simples. (…)